Belém (PA) – Faltando pouco menos de três meses para a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, a COP 30, para a qual vislumbra-se a presença de cerca de 150 chefes de Estado, o Comando Marajoara promoveu o Estágio de Segurança e Proteção de Autoridades. A atividade, coordenada pela 15ª Companhia de Polícia do Exército, capacitou agentes de diversas esferas para garantir a integridade física e moral de autoridades civis e militares, prevenindo riscos, como atentados, sequestros e outras ameaças.
Em cinco semanas, mais de 30 estagiários aprendem técnica de defesa pessoal, de tiro tático, de direção evasiva e, inclusive, de busca e salvamento aquático. De acordo com a coordenação do Estágio, trata-se de uma atividade complexa, que exige planejamento rigoroso, execução profissional e zero margem para falhas ou improvisos.
“O Estágio de Segurança e Proteção de Autoridades (ESPA) tem como finalidade preparar o militar para atuar nesse tipo de missão, capacitando-o tanto para ações de proteção direta quanto para medidas mais amplas de segurança preventiva e reativa. Ao longo do estágio, os estagiários são treinados para atuar com profissionalismo, discrição, técnica e disciplina, mesmo em situações de alto risco ou pressão”, detalha o Capitão França, Comandante da 15ª Companhia de Polícia do Exército.
A atividade faz parte dos preparativos das Forças Armadas para a COP 30, que está atuando integrada no Comando Operacional Conjunto MARAJOARA. Além de miliares do Exército, participaram do Estágio agentes da Marinha, Aeronáutica, Polícia Militar, Polícia Penal e Polícia Rodoviária Federal.
“Nós identificamos que havia a necessidade de buscar um conhecimento e o Exército é uma referência nesse conhecimento. E, portanto, nós sempre buscamos uma interlocução junto ao Comando Militar do Norte para que cedam vagas que permitam que os policiais rodoviários federais participem em todas as edições”, afirmou Filipe Zadra, Agente da Polícia Rodoviária Federal.
Direção tática
Uma das instruções de extrema importância para o Estágio é a direção tática, fundamental no processo de formação e capacitação de agentes. Trata-se de um conjunto de técnicas e procedimentos de condução veicular aplicados em situações de risco, que garantem a preservação da integridade física da autoridade protegida, bem como da equipe de segurança envolvida. A instrução engloba manobras de direção defensiva, ofensiva e evasiva, sendo adaptada para contextos urbanos e rodoviários, com foco em situações reais de ameaça.
Durante a instrução, os estagiários são expostos a situações simuladas que reproduzem cenários críticos, como emboscadas, tentativas de bloqueio, ataques armados e necessidade de fuga imediata. O objetivo é desenvolver reflexos rápidos, tomada de decisão sob estresse e domínio completo do veículo como ferramenta de proteção e evasão.
Tiro tático
“Nesta instrução, os estagiários assimilam os fundamentos para a correta aplicação das técnicas de manuseio e de segurança do armamento, em ações reais. O objetivo é capacitá-los na aplicação do tiro tático com pistola 9 mm, com foco em contextos operacionais que envolvem ambientes urbanos, proximidade com a autoridade protegida e necessidade de resposta imediata e precisa diante de ameaças”, afirma o Tenente Aguiar, da coordenação do Estágio.
A instrução é realizada em estande de tiro tático devidamente controlado, com ênfase no manuseio seguro e realista da arma curta em condições que simulam situações de alto estresse e curta distância, características típicas do serviço de proteção de autoridades. São abordados os fundamentos essenciais do tiro de combate, prática de empunhadura e controle do recuo, técnica de reset do gatilho, domínio da cadência de tiro com recuperação rápida e eficiente da ação do mecanismo de disparo, controle pós-disparo, manutenção do foco nos instrumentos de pontaria e a preparação para novo engajamento.
Este treinamento está fundamentado nas normas doutrinárias aplicáveis ao serviço de segurança de autoridades, sendo orientado para o desenvolvimento técnico e comportamental necessário à realidade de atuação dos agentes neste tipo de missão.
