Belém (PA) – Em uma articulação entre Defesa e Saúde, o Comando Operacional Conjunto MARAJOARA participou diretamente de um simulado de mesa coordenado pelo Ministério da Saúde (MS) para testar a capacidade de resposta nacional diante de emergências em saúde pública envolvendo incidentes de natureza Defesa Química, Biológica, Radiológica e Nuclear (DQBRN). O exercício interinstitucional realizado na sede da Secretaria de Estado de Saúde Pública do Pará (SESPA), em Belém, reuniu órgãos federais, estaduais e municipais em um ambiente de coordenação integrada, tendo como pano de fundo os preparativos para a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 30), prevista para ocorrer na capital paraense em 2025.
A participação das Forças Armadas reforçou a importância da prontidão operacional em ações de proteção civil, em especial, em cenários que exigem resposta rápida e articulação entre setores estratégicos do Estado. Com expertise em logística de crises, defesa de infraestruturas críticas e apoio a operações de proteção da população, militares especializados em DQBRN acompanharam todas as etapas do exercício, integrando o processo decisório e contribuindo para o alinhamento entre protocolos de saúde e segurança em situações de risco químico ou biológico.
O objetivo do treinamento é de fortalecer a capacidade de resposta interinstitucional diante de situações de risco e alta complexidade, antecipando cenários que podem exigir atuação rápida, coordenada e com tomada de decisão estratégica. A metodologia adotada é a de simulado de mesa, exercício que cria um cenário fictício com evento crítico, exigindo o acionamento de protocolos e articulação entre múltiplos setores sem mobilização operacional real.
A realização do simulado em Belém sinaliza a preocupação das autoridades brasileiras com a preparação e proteção da população durante grandes eventos internacionais. A abordagem DQBRN, pouco difundida no país até alguns anos, vem ganhando espaço na agenda nacional de segurança e saúde pública.
Integração entre Saúde, Segurança e Resposta a Desastres
O exercício contou com a participação do Hospital Metropolitano de Urgência e Emergência (HMUE) e do Hospital Universitário João de Barros Barreto (HUJBB), referências no atendimento de vítimas de incidentes químicos e de doenças infecciosas, respectivamente, assim como ações das equipes do Centro Integrado de Operações Conjuntas da Saúde (CIOCS) acionadas para monitoramento do cenário, simulação de análises situacionais e tomada de decisão com base em dados dinâmicos.
Além disso, equipes de vigilância epidemiológica do estado simularam protocolos de triagem e avaliação de risco, enquanto representantes das áreas de logística, assistência farmacêutica, comunicação de risco e atenção hospitalar participaram das etapas de coordenação da resposta.
Conforme o MS, iniciativas como essa têm por finalidade “estressar o sistema” , isto é, testar os limites de resposta institucional para identificar lacunas, aprimorar fluxos e consolidar planos de contingência. O simulado reforçou os Planos Intersetoriais de Resposta para grandes eventos e situações de emergência em saúde pública.
Ao final, avaliou-se que o plano de operação conjunta está praticamente finalizado para uso durante a COP 30, com pontos de ajuste.
Texto: Tenente Valois
Fotos: Agência Marajoara



