O Comando Militar do Norte (CMN) lançou, nesta quinta-feira, o Fórum Permanente de Segurança e Defesa da Amazônia Oriental. A iniciativa reúne um robusto conjunto de parceiros, incluindo a Universidade Federal do Pará (UFPA), Universidade Estadual do Pará (UEPA), Universidade da Amazônia (UNAMA), Centro Universitário do Estado do Pará (CESUPA), Instituto Evandro Chagas (IEC), Federação das Indústrias do Estado do Pará (FIEPA), Federação da Agricultura e Pecuária do Pará (FAEPA) e o Instituto de Estudos Estratégicos da Amazônia (IE2A), com o objetivo de promover um diálogo estratégico sobre o futuro da região.
O evento inaugural, marcado pelo painel “Legado da COP 30 e suas contribuições para o futuro do desenvolvimento socioambiental na Amazônia Oriental”, estabeleceu o tom dos debates. A proposta central é engajar instituições acadêmicas e diversos setores da sociedade paraense na discussão dos impactos da Conferência da ONU, que Belém sediará de 10 a 21 de novembro, no desenvolvimento sustentável da Amazônia. A estudante Naiuara Simões destacou a relevância do diálogo: “O fórum é extremamente importante para acrescentar no conhecimento de todos”, avaliou.
O Comandante Militar do Norte, General Vendramin, sublinhou a importância da abordagem colaborativa: “A intenção é que este seja um fórum abraçado por diversas instituições, pelo grau de importância de discutir segurança e defesa”, afirmou. Ele enfatizou a necessidade de construir um “conhecimento multidisciplinar sobre a Amazônia Oriental”, abrangendo desde a segurança alimentar e energética até a pública, visando tornar o fórum uma “referência de conhecimento para a sociedade paraense” nos próximos anos.
A programação do evento ofereceu oito palestras aprofundadas sobre temas cruciais para a região. Entre os destaques, foram abordados: Políticas públicas de combate a crimes transnacionais, Mobilidade social, Qualidade de vida do amazônida, Modernização da legislação ambiental, O uso da inteligência artificial (IA) na defesa da Amazônia Brasileira, e Desafios logísticos e operacionais.
Loiane Verbicaro, vice-reitora da UFPA, celebrou o caráter histórico do evento e o diálogo promovido: “É uma congregação de esforços, de trabalho coletivo, para que possamos dar conta da grande complexidade que é enfrentar os desafios na nossa Amazônia contemporânea. Parabenizamos a iniciativa do Comando Militar do Norte por liderar esse projeto tão importante para o desenvolvimento social e econômico da nossa região.”
Reforçando a relevância, o reitor da UEPA, Clay Chagas, destacou a união entre setores público e privado: “É extremamente importante essa iniciativa do Exército, pois ela une instituições de defesa, ensino e pesquisa para pensar o legado da COP. Precisamos de um ambiente colaborativo para chegar onde queremos.” Alex Carvalho, presidente da FIEPA, complementou que a pluralidade de visões é essencial: “É importante trazer para o eixo de discussões várias convicções. Mesmo com divergências, há muita convergência dentro daquilo que queremos para nosso futuro enquanto amazônidas. Pensar a Amazônia como um projeto de solução para o país.”
Articulação Estratégica para a Amazônia
O Fórum Permanente, idealizado pelo CMN, configura-se como um pilar para a articulação interinstitucional. Seu propósito é fomentar o diálogo, a cooperação e a integração entre órgãos militares e civis, tanto públicos quanto privados, para desenvolver ações coordenadas e estratégicas. Essas ações visam à defesa, proteção e ao desenvolvimento sustentável da Amazônia Oriental, fortalecendo a presença do Estado, a soberania nacional, a preservação dos recursos naturais e a valorização das populações locais.
A iniciativa é um desdobramento do Núcleo de Estudos Estratégicos do Comando Militar do Norte, criado em consonância com o Plano Estratégico do Exército Brasileiro. Este núcleo tem como metas: fomentar a pesquisa em Defesa na academia e entre as instituições civis e governamentais, contribuir para a disseminação da mentalidade de Defesa, e ampliar a integração do Exército com a sociedade.
A gênese do Fórum Permanente remonta ao I Seminário de Segurança e Defesa da Amazônia Oriental no contexto da COP 30, também promovido pelo CMN em maio deste ano. Aquele evento, considerado pioneiro na região, congregou mais de 400 participantes – entre autoridades militares e civis, profissionais e estudantes – e pavimentou o caminho para a integração contínua entre as Forças Armadas, a academia e a sociedade civil.
